A FORÇA QUE NOS ALERTA
Ninguém pode negar que a vida de Benedita da Silva daria um filme, daqueles que Hollywood costuma premiar, que Cannes adoraria e que fariam vibrar todos os leões de ouros e quiquitos, de todos os festivais. Seria uma história simples, humana, que de tão conhecida prefiro aqui nem tentar roteirizar.
Deixo a tarefa para produtores e diretores, que de certo, inspirados em uma boa biografia, sem muito esforço, nos deixariam uma obra prima, com todos os conteúdos que costumar emocionar: superações, amores perdidos, poder e fé.Eu pediria, no entanto, para que esses biógrafos, diretores,produtores e artistas esperassem os próximos meses ou anos, porque o mais emocionante ainda está por vir. As histórias de superação na juventude são mais comuns e de tão divulgadas já nem sempre rendem boas histórias para a telinha.
Relutei um pouco para falar dela – quando se tem uma relação profissional e de amizade com alguém ficamos suspeitos aos olhos dos outros, mas vou arriscar algumas linhas porque como vida de político virou domínio público, também acredito ter direito a dar palpites, como qualquer cidadão. É verdade que sou privilegiado pela proximidade.
A disputa interna no PT pelo Senado é um bom exemplo de que uma biografia agora seria prematura. O que Benedita fará nas próximas semanas ao vencer um jovem Prefeito namorado da mídia e que parece saído de um comercial da Calvin Klein é o que mais vai empolgar o leitor dessa biografia que ainda não foi publicada. Vencendo, Benedita fará história no Senado, colocando o Brasil mais próximo da África, dos negros-norte americanos, das mulheres e dos milhões de jovens que nascem em lugares pobres e sem futuro; da parceria com Nelson Mandela e Obama. Será vitória da consolidação das biografias de mulheres negras que diariamente vivem nas centenas de favelas brasileiras.
É verdade que Benedita já esteve lá – em épocas muito mais difíceis onde nem banheiro para mulheres parlamentares existia – mas agora será um momento especial, na maturidade de ex-governadora e ministra, em um mundo onde o país mais poderoso tem um negro no mais alto cargo de comando.
Para não dizer que estou apenas jogando a carta da “mulher negra”, posso dizer que Benedita está além desse debate restrito a raça e gênero. Ao contrário das lideranças negras norte-americanas, muito segregadas ainda na religião e na questão racial, ela hoje lidera uma
equipe multirracial, étnica e religiosa, com uma agenda muito mais avançada que seus parceiros internacionais, incorporando as lutas LGBT, de deficientes, da imigração, do enfrentamento ao tráfico de pessoas e outras questões ainda inéditas no Senado.
É lógico que o outro candidato do PT não possui essa capacidade de representar o Rio internacionalmente, primeiro porque tem um projeto local de poder, segundo porque tem um projeto pessoal de poder. O Rio já possui uma representação no senado tímida em relação a agenda Internacional e distante do que eu precisamos às vésperas de uma copa do mundo e jogos olímpicos. Lula com certeza cumprirá uma agenda internacional nos próximos anos e Benedita será a melhor parceira para essa tarefa, por afinidades, por história de vida, por superações e por experiência e prestigio no exterior.
Nos próximos dias o PT vai mudar essa biografia, que tantas vezes mudou sua vida para seguir as decisões partidárias, que esteve sempre fiel a construção partidária. O partido vai decidir entre história ou aventura, entre projeto local e pessoal ou um trabalho sério de representação do Estado no Brasil e no Mundo.
Essa mulher é a história viva do PT. Essa é a força que nos alerta.
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16 março, 2010
Belo e muito bem escrito. Disse tudo. Benedita e Lula serão ótimos juntos no campo internacional. Lindiberg não tem essa projeção e o Rio seguirá apagado.
17 março, 2010
Bendita é nossa candidata. Parabéns ao autor do texto.
17 março, 2010
Muitos bons motivos para votar em Benedita dia 28. Estava em dúvida, mas os argumentos do autor são imbatíveis.