BENEDITA NÃO CONCORDA COM DECISÃO DO STJ SOBRE LEI MARIA DA PENHA

01 março, 2010 | 2 Respostas | Postado em Artigos
Secretária Benedita da Silva

Secretária Benedita da Silva

Os ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiram, semana passada, por seis votos a três, que as ações penais decorrentes de lesões corporais leves contra mulheres só podem seguir caso a própria vítima denuncie. Até agora, era comum que familiares e até vizinhos denunciassem os abusos. Com isso, apesar de a Lei Maria da Penha prever o andamento do processo contra o agressor independentemente da vontade da vítima, a jurisprudência a partir de agora determina que as ações sejam engavetadas quando a mulher não denunciar ou desistir da denúncia. O Ministério Público ainda pode recorrer da decisão.

“Nós, que na SEADH trabalhamos com os casos de violência contra as mulheres entendemos que há questões em que o Estado deve interferir independentemente da vontade da vítima, que muitas vezes está acuada, pressionada, insegura e vulnerável frente à violência, inclusive a doméstica”, disse a secretária de Assistência Social e Direitos Humanos, Benedita da Silva.

Várias parlamentares do PT no Senado e na Câmara dos Deputados, incluindo Cida Diogo (PT/RJ), protestaram contra a decisão, que cria uma norma para todo os tribunais do país, no caso das chamadas lesões leves, aquelas em que a vítima estaria curada em 30 dias, sem levar em conta os prejuízos emocionais e familiares de mulheres agredidas.

Seminário

Amanhã e quarta-feira, se realizará em Brasília o II Seminário Lei Maria da Penha. A atividade vai reunir membros e servidores do Ministério Público, parlamentares, acadêmicos, estudantes e representantes de diversos setores da sociedade para discutir os mecanismos de combate à violência doméstica e familiar contra a mulher.

Uma boa oportunidade para organizarmos uma representação junto ao STF contra essa

decisão!

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2 Respostas para “BENEDITA NÃO CONCORDA COM DECISÃO DO STJ SOBRE LEI MARIA DA PENHA”

  1. Rosimere Paulino Disse:

    não posso acretitar que estamos retornando a estaca zero, como pensar que pode uma mulher ameçada acuada como foi citado ter inciativa de ir denunciar o agressor e lamentavel a decissão do supremo

  2. sérgio roberto bastos Disse:

    Realmente é uma decisão polêmica. Se a vítima continuar a se sentir ameaçada, é certo que se calará. Segundo pesquisas, as agrações tendem a se tornarem mais intensas e constantes pois o agressor se sente protegido pelo medo do agredido. Para atender o espírito da Lei o STJ. deve rever seu posicionamento e isso só será possível através do clamor público.

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